03 junho, 2007

antepassados

Meu sangue, do pragal das altas beiras
boiou no mar de vermelhas caravelas
à nau Catarina e à branca bela
até o porto catanho de asas negras.

E aportou. Rosas de ouro, azul chaveira
Onça malhada a violar cadelas
Depôs sextames, astrolábios, velas
No planalto da pedra sertaneja


Hoje jogral cigano e tresnalhado
Vaqueiro do seu coro cravejado
Com medalhas de prata a faiscar

Bebendo o sol de fogo e o mundo
meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar


A. Suassuna

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