10 julho, 2007

Morte morrida...


Passei muitos dias em minha finda agonia,
Pensei muito todos esses dias,
Pensei muito.
Pensei...

Passei todos os dias em minha profunda perda,
Pisei muitas pessoas em minha jornada,
Quebrei muito minha passada
Mudando o rumo todos os dias,
Mas chega logo àquela hora
Pensamos logo que não dá,
Mas nesta perdida lógica,
Retórica já respondida.
Ainda me encontro com a pá.
Ainda tenho meu fundo
Como a cabeça entregue a forca,
A guilhotina se eleva...
Mas deixa pender o peso.

Que gira a incondicional catraca.
Que dá vida a roda dentada.
Que me devora todo o dia.
Que não perde nunca os dentes.
Que me leva sempre parentes.
Que me deixa sempre tão só...

Mas para quem devo pedir...
Como a minha alma deve agir?
Meu desejo, ser apenas mais um imortal...
Tenho de registrar minha passagem...
Mas tenho também de enfrentar a verdade...

Não mais do que sou, se não, ninguém.
Não tenho direito, nem medidas...
Não tenho amores, nem filhos...
Não tenho esperança...
Não tenho mais força...
Não posso mais lutar...
Não posso falar...
Não quero...
Não!

Fenece a vida em alma partida
Fenece o amor numa despedida
Fenece a alegria neste pranto
Fenece meu ser neste canto
Fenece em marcas nesta face
Fenece o grilhão da minha arte
Fenece o cão que a meia noite late
Fenece como tudo nesta vida
Fenece...

Um comentário:

Kátia disse...

Me encanta e gosto, gosto bastante desse seu lado lúgubre, de carregar nas tintas para expressar o que lhe rodeia e de fazer da poesia uma amiga e companheira que o faz também expressar para além da arte... sua doce vida trabalhadeira.
Uma salva de palmas da sua fã literária.