
Meu tempo...
Sei que meu tempo não é nada, e este nada minha realidade, o meu pavor está no tempo. Seja perdido, vivido, apreendido, amado, compreendido, sofrido... Meu pavor é tempo. Monstro, ente que me consome oxidando minhas artérias, desmoronando meu corpo, que não é mais tão esbelto e belo como antes. Corroendo minhas entranhas, fabricando o xorume, desfazendo minha percepção. De qualquer forma sou um mero escravo deste temor. Este suor frio que corre minha espinha. Esta correnteza inapreensível e desconcertante que me encaminha rumo a minha própria morte...
Por isso luto! Não deste luto preto que vestem os que ficam neste mundo... pra eles quero minha luta como minhas idéias. Quero meu luto como uma poesia. Quero amor! Quero na lira e na harpa tocatas de bela maestria. Quero vida nestes olhos perdidos dos filhos que deixo, meu intelecto partido. Hei de conseguir a contundência do martelo. Sei, cortante é sua frieza, sei que dolorosa é sua pancada, mas também sei que não se consegue pensar sem dor. Pesar dói profundamente no tocante de nossa percepção. Compreende-se muito mais daquilo que nos cerca quando aprendemos a pensar. Injusto é sofrer assim sem recompensa. Vivemos em um inferno. Todas estas condições pré-estabelecidas por pessoas que passaram anteriormente. Injusto! Ninguém deveria ser obrigado à vida. Se pudesse continuaria nu e feliz. Porque hoje não é amanhã...
Um comentário:
"Injusto é viver assim sem recompensa"...todos os seus textos me tocam imensamente!E esse como os outros tem trechos que me "pegam".
Sou sua fã,Sim,sou mesmo sua fã.
Não sei se a n°1--lol--não importa...sou,simplesmente fã.
Obrigada por seus escritos que tanto gosto.Obrigada mesmo.
Um beijo!
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