
23 julho, 2007
Gostaria muito de uma opinião a respeito desta foto...

trecho final...

Meu tempo...
Sei que meu tempo não é nada, e este nada minha realidade, o meu pavor está no tempo. Seja perdido, vivido, apreendido, amado, compreendido, sofrido... Meu pavor é tempo. Monstro, ente que me consome oxidando minhas artérias, desmoronando meu corpo, que não é mais tão esbelto e belo como antes. Corroendo minhas entranhas, fabricando o xorume, desfazendo minha percepção. De qualquer forma sou um mero escravo deste temor. Este suor frio que corre minha espinha. Esta correnteza inapreensível e desconcertante que me encaminha rumo a minha própria morte...
Por isso luto! Não deste luto preto que vestem os que ficam neste mundo... pra eles quero minha luta como minhas idéias. Quero meu luto como uma poesia. Quero amor! Quero na lira e na harpa tocatas de bela maestria. Quero vida nestes olhos perdidos dos filhos que deixo, meu intelecto partido. Hei de conseguir a contundência do martelo. Sei, cortante é sua frieza, sei que dolorosa é sua pancada, mas também sei que não se consegue pensar sem dor. Pesar dói profundamente no tocante de nossa percepção. Compreende-se muito mais daquilo que nos cerca quando aprendemos a pensar. Injusto é sofrer assim sem recompensa. Vivemos em um inferno. Todas estas condições pré-estabelecidas por pessoas que passaram anteriormente. Injusto! Ninguém deveria ser obrigado à vida. Se pudesse continuaria nu e feliz. Porque hoje não é amanhã...
19 julho, 2007
Continuação 16 de julho de 2007
Prefiro negar a esta união...
A compreensão de nossos caminhos deve acontecer ainda em vida. Por isso estou aqui perseguido pelo ciclope. Eternamente a procurar a minha volta. A caminhar em torno de minha existência, atormentando pela minha própria sombra. E num sopro de poucas palavras que me assombra, esse ciclope da caverna me esmaga. Um conhecimento vão de ilusões se apresenta. Numa escuridão ampla e contundente me encontro. Procuro uma saída fora das amarras que a sabedoria do ciclope desatou. E uma vez fora da caverna e daquela escuridão atordoante que impedia a luz de açoitar minha vista, a sensação de desmaio e a tontura tomam conta de mim. Ao me recobrar do susto já não sentia mais o mal estar provocado por essa nova situação. A luz foi esquecida quando, durante numa breve investida fora da caverna me acostumei. E não vendo mais as sombras antes percebidas, compreendi a minha razão. Uma nova luta me tomou conta. Esse egocentrismo insano! Filho de plato! Em nada tem me ajudado nessa busca frente ao tempo. Somos tão fracos diante deste verdadeiro desafio. E esse tal ego que me coroe e me relembra da presença das sombras daquela caverna, esse filho ingrato de minha personalidade que me amarga e me envelhece. Imagem indesejada e causadora da praga chamada incompreensão. E quem diz “isso não acontece comigo” mente! Fatal é sua força, e a investida é poderosa, não se pode escapar.
Acredito que nunca poderei chegar ao supremo conhecimento, ainda sou um egoísta. Não posso vencer essa desunião que nos condena, essa guerra entre as razões. Sou parte dessa mistura da mística e do pensar.
Ingratos e incrédulos!
As pessoas assim nos chamam. Simplesmente pessoas, esses que vivem suas vidas sem pensar, nos chamam...
Irresponsáveis!
Não querem conseqüências.
Vivem somente o hoje.
Mas hoje não!
Vozes que me assombram estão perdidas entre as dos ecos dessas paredes que me cercam. Ecoam no nada. Não vejo, só ouço. Esta desordem de sons que do meu trono tento compreender. A força do mal que de mim ainda não brotou, mas o vômito ainda me dominará, então minha alma ferverá. Enquanto isso eu fico aqui a ditar palavras pro nada.
Verborragia vaga desses minutos de minha alma que me escapam.
Minutos esses que se perdem diante do nada.
Nada este que me invade...
Que esquartejem aos niilistas, e que suas cabeças sejam jogadas aos corvos!
Só assim talvez o eterno se transforme em verdade. Estamos mergulhados no nada! Somos parte do nada, este nada que é tudo. O nada é a resposta! Só o nada pode explicar a vida, a vida é nada. E o tempo pode definir o que é nada, o nada o que é tempo, e só o acaso o que somos. Filhos do que não aconteceu. A essência não precedeu a existência quando ocorreu nossa criação. Somos filhos desse acaso maldito chamado evolução.
E ainda assim o que não aconteceu está acontecendo. As palavras... Palavras que tentam inutilmente fazer parte de algo que não é. Do que não foi e nem poderá ser.
Por isso desejo meu crânio aberto.
Um encéfalo a céu aberto.
Haverá de ser a felicidade dos que não compreendem minhas palavras. Somente palavras. Sons. Manipulação do ar que respiro. E inda assim o nada me cerca...
Mas ainda sei que apesar disto, tudo tem duração...
16 julho, 2007
continuo de 12 de julho de 2007...

A priori...

Pra mim basta este dia,
Na libido me realizar.
Numa interminável noite fia.
Veio o beijo que desejava.
Dessa linda, pequena, guria.
Que no arrebato me ama,
Se não fosse minha calmaria...
Sentir e viver essa agonia,
Da incerteza e da dúvida.
Ainda me causa pavor.
Mas não quero mais a dor,
De ver sofrendo meu amor...
E me dei a ela sem pudor.
E a despi sem pudor,
Nossos corpos unidos no calor,
O gozo alto e o torpor,
O carinho, um olhar, meu amor...
Isso sim é viver.
Mergulhado em paixão,
Benção desta noite à meia luz,
Fogo presente sem fim.
Surpresa do dia que me fez feliz,
A mulher do colo nu de querubim.
Perder-me na paixão desta noite,
Este seio quente,
Faz-me pessoa contente...
Mulher me invade de repente.
O alvo rosto de olhar sorridente.
O toque do pé frio inconveniente
O arrepio debaixo do edredom.
O abraço num cochilo terminou.
O feliz que esboça o riso
E alvorada surge pro novo dia...
Novo rumo

Não desperto sempre ao raiar de um novo dia.
Mas farei de mim o que desejo, farei de mim alegria.
Pois sei certo que não agüento quem me ordena,
Pois não quero que me digam qual a minha trilha,
E mesmo que estejam certos, quero quebrada minha cara.
Já que ando sempre sobre minha própria perna.
Já que percorro assim minha linha.
Mas vejo meu caminho melhor nesta hora,
Porque deixo um traço curvo pela reta.
Porque quero ser tratado burro na certa.
Mas homens de bem não recebem n’alma,
Duros contras, e nem parva chacota.
A dor que me faz pegar nesta caneta,
A flor que depositaram em minha cesta.
Mas deixo pra trás não só uma funesta,
Deixo também meu martírio e minha dor.
Deixo registro de todo meu ardor...
Mas adoro acreditar na rima,
E dizer que o fim se aproxima.
Para este que escreve,
A hora chegou.
A mudança só começou...
12 julho, 2007

10 julho, 2007
Acabou?!
Sabe que hoje tudo corre
Sabe que o tempo não anda mais como antes
Sabe que tempo é raridade
Trabalho hoje é seriedade
Trabalho hoje e vaidade
Trabalho hoje é raridade
Não desperdice o trabalho
Dinheiro hoje é sério
Dinheiro hoje é necessário
Dinheiro hoje é cash
Dinheiro é dinheiro
Pesa bem...
Pensa bem...
Pisa bem...
Sofre também...
Mais uma vez a inspiração
Faz gritar
Faz soar o brado
Deste bardo que diz:
Trabalhar pra ganhar dinheiro é o que fiz!
Se o dinheiro não deu? Foi por um triz!
Vê se da próxima vez arruma aqué mis
Pru quê vosmice num quis...
Vê se vai trabalhar ô vagabundo!!!
E se arrumar um tempinho:
Escreve no papel esse tempo imundo....
Morte morrida...

Pensei muito todos esses dias,
Pensei muito.
Pensei...
Passei todos os dias em minha profunda perda,
Pisei muitas pessoas em minha jornada,
Quebrei muito minha passada
Mudando o rumo todos os dias,
Mas chega logo àquela hora
Pensamos logo que não dá,
Mas nesta perdida lógica,
Retórica já respondida.
Ainda me encontro com a pá.
Ainda tenho meu fundo
Como a cabeça entregue a forca,
A guilhotina se eleva...
Mas deixa pender o peso.
Que gira a incondicional catraca.
Que dá vida a roda dentada.
Que me devora todo o dia.
Que não perde nunca os dentes.
Que me leva sempre parentes.
Que me deixa sempre tão só...
Mas para quem devo pedir...
Como a minha alma deve agir?
Meu desejo, ser apenas mais um imortal...
Tenho de registrar minha passagem...
Mas tenho também de enfrentar a verdade...
Não mais do que sou, se não, ninguém.
Não tenho direito, nem medidas...
Não tenho amores, nem filhos...
Não tenho esperança...
Não tenho mais força...
Não posso mais lutar...
Não posso falar...
Não quero...
Não!
Fenece a vida em alma partida
Fenece o amor numa despedida
Fenece a alegria neste pranto
Fenece meu ser neste canto
Fenece em marcas nesta face
Fenece o grilhão da minha arte
Fenece o cão que a meia noite late
Fenece como tudo nesta vida
Fenece...
01 julho, 2007
Alma imoral?
Mas sei que não estarei aqui pra recebê-la,
Sei apenas que meus anjos deixados na terra,
Serão as benções da comunhão desta alma.
Cantei em prosa falada as enfadonhas alegrias do dia a dia.
Rezei em missa solene, com teço e mãos postas, àquele que não treme.
De Cícero nome falado em todo o nordeste já acabou com a peste,
Mas minha agonia de ver sem vermes e a ausência de herdeiros
Já deixou da peste! Essa cabra que estas linhas escreve...
Sei que não reclamo essa barriga vazia,
Mas sei também que mais um injusto nesta mesa comeria.
E para mais um justo o pão dividiria,
Mas deixo estas decisões para os de Brasília...
Contem comigo pra encarecer os vaus desta terra.
Que produz e planta e que dá ouro,
Mas do cangaço só me sobrou o couro,
o punhal e a teimosia,
Pra poder viver nesta terra tão arredia...
Onde um dia morreu Sião e amanhã eu morreria.
Onde reis se perdem e justiça não chega,
Onde homens matam e mulheres choram
Onde a força ferrenha prevalece
Onde a alma brasileira se escreve
Onde a farsa se esvai...
Onde o romântico se comove.
Onde Guarani Peri a Ceci escolhe...
Onde eu deixei minha prole.
Onde passei e fiquei.
Onde?
Nesta terra daonde vim
Nesta prece que teci.
Neste mal que cometi...
Afinal ser brasileiro, é ser, sempre, otimista...